O que significa Crowdpublishing?

Antes de falarmos do que é o crowdpublishing, vamos falar de crowdfunding, um conceito que surgiu nos Estados Unidos, mas que já chegou a Portugal há algum tempo.

Hoje em dia é cada vez mais frequente ouvirmos falar deste conceito … Mas afinal o que significa e como funciona?

Imaginemos a seguinte situação…

O “João” tem uma ideia para um projeto… lampada e quer torná-la real. Porém, além de não ter disponibilidade financeira para o fazer, quer avaliar a aceitabilidade do público. Assim sendo, o João apresenta o seu projeto à comunidade numa plataforma de crowdfunding, procurando que as pessoas se interessem pelo mesmo e o financiem, contribuindo e ajudando-o a tornar o seu projeto, real.

E o crowdlivropublishing?

No crowdpublishing, o “João” é um autor e a ideia do projeto será um livro. O objetivo é conseguir o financiamento desse livro, tornando possível a sua publicação através do envolvimento dos seus leitores no processo de edição.

Além do autor poder aceder a uma plataforma de crowdfunding e inserir o seu livro para financiamento, hoje em dia há editoras como a Virar a Página que também atuam com crowdpublishing.

Diferença entre auto-publicação e a logo 3

  • Os manuscritos são selecionados e revistos por editores, uma vez que serão uma aposta da Virar a Página. Porém, só serão editados depois de financiados pelo público.
  • Virar a Página prepara a apresentação do projeto, estabelecendo com o autor uma estratégia que o ajude a aproximar-se dos leitores.
  • O projeto é apresentado no site da editora com os valores e metas definidas para que o leitor saiba o que está a financiar.
  • Virar a Página e o autor trabalham juntos para divulgar o projeto de crowdpublishing;
  • Os limites de tiragens e as vantagens de financiamento do livro para o leitor são definidos pela editora e capazes de motivar outros leitores a participar e a envolverem-se no projeto;
  • O autor verifica o impacto que o seu livro tem junto dos leitores;
  • O leitor sente que faz parte da publicação e que contribui para o sucesso do autor.

 

Daremos esta oportunidade aos autores e leitores portugueses.

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Como escrever uma carta de apresentação para uma editora

Embora nem todas as editoras utilizem o conceito de carta de apresentação muitas pedem um currículo ou uma biografia. Este tipo de documentos serve para a editora saber mais sobre o autor em questão. O que já publicou, a sinopse pequena e o motivo pelo qual deseja publicar na dita editora. Ainda que muitas editoras não tenham na informação os géneros que não publicam, o autor deverá fazer uma pesquisa prévia para saber se a editora tem estado a publicar livros semelhantes ao que escreveu. Mas vamos por partes, uma carta de apresentação deverá ter no mínimo 3 parágrafos*:

No primeiro parágrafo:
1.O autor fala sobre si muito brevemente e sobre o que achar pertinente relativo ao seu percurso de escrita. Livros/contos que já tenha publicado ou se é a sua primeira obra. Pode ainda falar sobre a sua obra, o género que é, número de palavras, o tipo de leitor-alvo que quer aliciar, se o manuscrito dizer parte de mais do que uma obra explicar a série/duologia/trilogia.

No segundo parágrafo:
2.O autor coloca a pequena sinopse de 200 palavras para o editor ser uma espécie de leitor. Desde a carta de apresentação até às primeiras 20/50 páginas, o autor deve cativar o editor a apostar no seu manuscrito. Isso não quer dizer que o autor deva deixar a história em aberto ou que o editor “tente” adivinhar qual é a história. O editor deve ler e querer ler mais para saber mais sobre as personagens e a história. Se o autor decidir esconder muitos acontecimentos e colocar demasiadas perguntas, o editor pode perder a curiosidade por não saber qual o objectivo da história.

No terceiro parágrafo:
3.O autor deve mencionar o porquê de ter enviado o manuscrito para aquela editora. Aqui convém fazer uma pesquisa pelo site ou redes sociais da editora para mostrar que têm conhecimento do que a casa publica. Leram mais sobre a editora e partilham os ideais? Para o editor é bom saber que não está a ler só mais um manuscrito enviado pelo autor sem qualquer tipo de conhecimento do que é publicado. Se a editora não aceitar não-ficção, o autor não deverá enviar um livro sobre medicina.

A carta de apresentação deve ainda não ser demasiado formal nem demasiado descontraída. Se o autor não souber o nome do editor pode simplesmente escrever: Cara editora. A carta de apresentação, sinopse pequena ou sinopse alargada não devem conter erros ortográficos. Pensamos que é óbvio, no entanto escapam por vezes algumas gralhas. De forma a evitar erros ou descuidos, o autor deverá enviá-la a alguém antes de enviar à editora. Escusa de ser um professor de português, por vezes basta um par de olhos que nunca viram o texto para detetarem um espaço em falta ou algo que o próprio Word não deteta. Estes primeiros documentos são o contacto inicial que os editores têm com o autor e é importante não só o autor seguir o que a editora tem no site como ainda mostrar uma aparência cuidada. Se na página da editora constar que se deve enviar uma carta de apresentação e sinopse alargada, e o autor só enviar o manuscrito, é provável que o editor não ligue (atenção: provável – deve-se enviar sempre tudo o que é pedido por uma questão de cumprimento. O editor pode nem achar necessário ler a sinopse alargada se o manuscrito o cativar ou se vir que tem tantos erros ortográficos/sintáticos que não vale a pena ler mais).

Algumas questões que os autores possam ter:

1. Escrevi um livro e publiquei-o. No entanto não me sinto muito confortável em colocar na carta de apresentação. Coloco-o à mesma?

O autor está em constante evolução. Mesmo autores como o Neil Gaiman se pudessem voltar atrás reescreveriam um livro ou não porque aquele livro fez parte da aprendizagem. Se já publicou um livro pode sempre colocar o link para o Goodreads para o editor ir lá e ler as opiniões. No entanto se for ler a sinopse do livro e tiver erros ou pelo menos muitas opiniões a mencionar a falta de cuidado do autor, se calhar é melhor não colocar na carta de apresentação. Pode simplesmente se focar neste livro e tentar começar de novo.

2. Tenho imensas 5 estrelas no Goodreads, devo mencionar o excelente rating?

O editor tem mais em conta o número de leitores que a classificação do mesmo. Classificações no Goodreads são algo que pode ser facilmente manipulado por isso o editor prefere saber de estatísticas mais a nível de vendas ou leitores.

3. Publico imenso no Wattpad, devo colocar as minhas estatísticas na carta de apresentação?

Isto é uma questão que muitos autores se colocam – colocaram online e ganharam a visibilidade dos leitores mas não das editoras. Na ótica do editor temos duas coisas a considerar: o editor só se preocupa com a questão de “qualidade” (debatível mas ainda assim iremos manter esta palavra) ou a viabilidade da publicação.
Se o manuscrito não tiver qualidade, não são as estatísticas que vão fazer com que o livro seja aceite. Contudo existem muitos casos de editoras estrangeiras que viram a viabilidade de publicação do manuscrito e acolheram. Sendo o mercado português bastante diferente do anglo-americano, o autor deve mencionar se tem algum texto publicado no Wattpad ou pelo menos mencionar a sua presença nas redes sociais. A presença nas redes sociais pode indicar uma comunicação com o leitor e uma relação boa onde os leitores se sentem à vontade para dialogar sobre as obras e o que está para vir.

4. Se o meu livro já foi publicado noutra editora e estou a enviar agora para outra, devo colocar as estatísticas desse livro?

Sim e até mesmo o motivo pelo qual decidiu mudar de editora. Nenhum autor tem de estar 100% veiculado a uma editora, por vezes surgem novas editoras com as quais nos identificamos mais ou achamos que tem uma linha editorial onde o livro vai ficar melhor entregue.

5. Fiz tudo isto e mesmo assim não fui publicada. O que faço?

O que todos os autores fazem quando são rejeitados ou remetidos ao silêncio. Continua a escrever e a tentar!

Boa escrita,
Ana Ferreira

* A ordem ainda pode ser alterada para 1º parágrafo: sinopse / 2º parágrafo: a apresentação autor e terceiro parágrafo: por que escolheu esse rótulo.

Sinopses curtas

Muitos autores apresentam dificuldades em sintetizar a obra em apenas 200 palavras quando a editora lhes pede uma sinopse curta. Nem todas as editoras escrevem a sinopse, e para o autor reduzir o seu manuscrito de milhares de palavras para duas centenas pode ser uma tarefa complicada. Receiam escrever pouco ou não o essencial para alertar o leitor a apostar no seu livro.

Sinopses devem ter entre 100-200 palavras. Sinopses muito grandes podem dizer demasiado sobre a história e sinopses de duas frases podem não dizer o suficiente. Trata-se de saber que informação colocar e onde.

Para isso, James Scott Bell dedicou um capítulo no seu livro: How to write Great Fiction: Plot & Structure onde coloca umas quantas questões e ainda um modelo.

Neste artigo vamos abordar algumas questões/tópicos que todos os autores podem colocar antes de começar a escrever a sinopse, que ajudam a sintetizar na hora de escrever o texto. A sinopse modelo foi inventada para este artigo, seguindo os seguintes pontos:

– Personagem principal
– Onde a acção se passa
– Qual o objectivo da personagem principal OU
– O que preocupa a personagem principal
– Quem é o antagonista (não é obrigatório ser uma pessoa pode ser o conflito)
– A questão principal da história
– A frase final: o que é que eu quero que os meus leitores sintam ao ler o meu livro

A personagem principal é o normal, até podemos dar um bocado a conhecer da personagem se tiver algo a ver com a história, por exemplo:

Mariana era uma estudante pronta a entrar para o curso que sempre quis.

Sabemos o nome, o que a personagem faz e o que ela conseguiu até agora.

Numa cidade nova e longe de casa, Mariana tem dificuldades em fazer novos amigos. Até conhecer Pedro, o seu vizinho do lado que insiste em colocar música gótica todos os sábado às 8 da manhã.

Aqui temos um bocado de contexto, onde a acção se passa e conhecemos uma segunda personagem que vai dar origem ao conflito.

Pedro está a tentar passar à mesma cadeira há dois anos, mas quando uma rapariga lhe toca à porta para baixar o volume, Pedro encontra a sua oportunidade para passar às cadeiras que o estão a atrasar. Mariana só se apercebe que aceitou dar explicações a um rapaz mais velho que ela quando mais tarde ele toca à sua porta de casa. Agora só tem de se concentrar em não se perder naqueles olhos verdes e continuar a ter boas notas.

O autor decide mostrar o que vai originar o conflito e o rumo da história para o leitor saber o que esperar destas duas personagens.
Mas Pedro vai-lhe mostrar que há muito mais nesta vida que pensar só em notas e exames e mostra-lhe que a vida é para ser vivida e aproveitada.

O autor fala mais sobre o propósito da história, nos temas que poderão ser abordados. Contudo nem todas as plots mostram temas. Para os criadores da série de South Park uma forma de criar uma plot é dando uso às palavras mas ou portanto, criando assim uma reacção entre partes da estrutura. O que pode ajudar na elaboração de uma sinopse pequena mesmo quando não temos a certeza se estamos a cumprir estes últimos pontos. Como se vê no texto, o autor hipotético utilizou a palavras “mas” para mostrar uma adversidade que as personagens poderão encontrar na história.

Um livro sobre o amor e de como duas pessoas tão distintas conseguem encontrar algo de bom em conjunto.

Esta última frase serve para falar mais um pouco sobre o objectivo da história para o leitor saber o tema principal ou até mesmo o género. O autor pode dizer que o seu livro é uma história divertida, bem-humorada como pode ser uma reflexão sobre o tema do amor, das relações pessoais e da importância da comunicação numa relação, tal como pode ser uma história sobre os estereótipos sofridos por parte das pessoas.

Convém ainda que a frase final não seja enigmática ou levante questões, mas que diga o tom se houver algo a acrescentar. Não convém deixar dúvidas ao leitor antes dele começar a ler o livro. O mistério e a quantidade de informação que omitimos ao leitor tem de ser faseada e não cair no extremo de despejar informação ou então esconder tanta que o leitor fique confuso em relação à história.

Na sinopse curta deverá aparecer os acontecimentos do 1º acto e a primeira cena do 2º. Se não sabem o que Actos e cenas são, aconselho a visitarem este artigo escrito pela Cláudia Silva. Aconselho ainda a leitura do livro de James Scott Bell (versão inglesa) para quem quiser aprofundar a leitura sobre estrutura e sinopse.

9781582972947

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Boa escrita,
Ana Ferreira